RESENHA: NEVE E CINZAS

08:00



Editora: HarperCollins Brasil
Autor: Sara Raasch
Série: Neve e cinzas, livro 01
Páginas: 320
Estrelas: ⭐⭐⭐⭐⭐

Dezesseis anos atrás o Reino de Inverno foi conquistado e seus cidadãos, escravizados, sem família real e sem magia. A única esperança de liberdade para o povo do reino jaz nos oito sobreviventes que conseguiram escapar, e que seguem esperando uma oportunidade para recuperar a magia de Inverno e reconstruir o reino. Meira, uma órfã desde a derrota de Inverno, passou a vida inteira como refugiada, criada por Senhor, o general dos inverninos. Treinando para se tornar uma guerreira — e desesperadamente apaixonada pelo melhor amigo e futuro rei, Mather —, Meira faria qualquer coisa para ajudar o Reino de Inverno a retomar seu poder. Então, quando espiões descobrem a localização de um medalhão antigo capaz de devolver a magia ao reino, Meira decide ela mesma encontrá-lo. Finalmente ela está escalando torres e lutando contra soldados inimigos como sempre sonhou. Mas a missão não sai como planejado, e logo Meira se vê mergulhada em um mundo de magia maligna e poderosos perigosos. De repente, ela percebe que seu destino não está, e nunca esteve, em suas mãos. A estreia de Sara Raasch é uma fantasia cheia de ação sobre lealdade, amor e a capacidade de determinar o próprio destino.

Em seu livro de estreia, Sara Raasch nos introduz a um mundo fantástico marcado pela ambição de um rei e o desejo de mudanças de uma jovem órfã. Primoria é dividida em 4 Reinos Ritmo (Yakim, Ventralli, Cordell e Paisly) e 4 Reinos Estação (Primavera, Verão, Outono e Inverno), cada um possuindo um artefato mágico, o Condutor, passado geneticamente pela família real, que os permite despertar o potencial de seus súditos.

A paz entre eles foi quebrada quando o rei Angra de Primavera invadiu Inverno, destruindo seu Condutor e dizimando a maioria de sua população. Os que sobreviveram ao ataque foram escravizados, enquanto 8 conseguiram escapar, entre eles Mather, o príncipe herdeiro e Meira, uma órfã. Ambos são criados juntos por Sir William, o antigo general da rainha, que os treina para recuperarem seu reino e seu condutor destruído, mas nem tudo vai ser fácil nessa jornada e talvez, o papel de Meira seja muito diferente daquele que imaginou para si.



Meira é uma das personagens mais fortes de fantasia que já li. Corajosa, obstinada e leal, ela devota corpo e alma a servir como soldada de Inverno, sempre colocando o bem do reino e dos outros acima de suas vontades. Seu amadurecimento é notável para uma menina de 16 anos, num momento agindo guiada pelo seu coração e em outro pela razão, ao mesmo tempo em que se questiona se está tomando o rumo certo. Mesmo apaixonada pelo melhor amigo, não permite que os sentimentos por ele anuviem seus pensamentos e desnorteiem seus objetivos, assim como sempre bate de frente com qualquer um que a tente impedir de ser uma participante ativa da revolução por ser mulher (pelo menos é isso que transparece).

A complexidade do relacionamento de Meira e Sir foi um dos pontos mais interessantes do livro. Como a única figura paterna que já teve, sua vontade de conseguir o reconhecimento dele, que ele confiasse e se orgulhasse de seus feitos sempre entrava em conflito com o desejo dele que o destino dela fosse diferente de uma soldada, que sua vida pudesse ser mais do que viver escondida e lutando. Mather, por outro lado, mesmo com o pesado fardo de ser um rei sem território e sem súditos, nunca deixou se abalar pela constante falta que permeava sua vida, tomando decisões difíceis e maduras para assegurar a segurança de seu pequeno grupo, no entanto, pela narrativa ser em primeira pessoa não temos como conhecer mais profundamente seus pensamentos.

Como algo esperado em uma fantasia (ou em qualquer outro livro) há romance nesse volume, claramente percebido pelo interesse que Meira tem em Mather, mas a autora escolheu um triângulo amoroso para prosseguir com a história. Confesso que isso me assustou, já que não sou propriamente fã desse formato geométrico (nem de outros) no quesito romance (exceção, claro, para As Peças Infernais), mas é impossível não gostar de ambos os rapazes, já que eles se mostram pessoas notáveis (mas meu coração é do Theron). A presença deles não desvia a atenção daquilo que é importante para Meira e para a narrativa, que é lutar pela libertação dos invernianos, assim como procurar entender como funciona a magia em Primoria.



O sistema de magia e a construção de mundo da autora foram originais e cativantes, sendo bem explicadas durante a narrativa de modo que não confundisse o leitor. Um ponto interessante é o fato dos habitantes dos reinos Estação refletirem características de seus respectivos reinos, como por exemplo, os invernianos serem de pele pálida, cabelos brancos e olhos azuis, enquanto os habitantes de Primavera possuem a pele morena, cabelos loiros e olhos verdes. A autora também sugere que exista certo preconceito entre os reinos Ritmo e Estação, que espero que seja mais abordado nos próximos livros.

“Neve e cinzas’ é um excelente começo de trilogia, com um enredo recheado de altos e baixos, cenas de luta que lhe tiram o fôlego, personagens muito bem construídos e acima de tudo, uma protagonista que luta pelo que é certo e não se deixa abalar por ninguém. Enquanto eu fico ansiando pela continuação, se você gostar do gênero, essa é uma indicação certa para ti.

Comente aqui uma personagem que seja tão forte quanto a Meira.


Até a próxima,

You Might Also Like

0 comentários