RESENHA: ALMANOVA

08:00



Editora: Valentina
Autor: Jodi Meadows
Série: Incarnate, livro 01
Páginas: 288
Estrelas: ⭐⭐

ALMANOVAAna é nova. Por milhares de anos, no Range, milhões de almas vêm reencarnando, num ciclo infinito, para preservar memórias e experiências de vidas passadas. Entretanto, quando Ana nasceu, outra alma simplesmente desapareceu... e ninguém sabe por quê.
SEM-ALMAA própria mãe de Ana pensa que a filha é uma sem-alma, um aviso de que o pior está a caminho, por isso decidiu afastá-la da sociedade. Para fugir deste terrível isolamento e descobrir se ela mesma reencarnará, Ana viaja para a cidade de Heart, mas os cidadãos de lá temem sua presença. Então, quando dragões e sílfides resolvem atacar a cidade, a culpa deverá recair sobre...
HEARTSam acredita que a alma nova de Ana é boa e valiosa. Ele, então, decide defendê-la, e um sentimento parece que vai explodir. Mas será que poderá amar alguém que viverá apenas uma vez? E será também que os inimigos – humanos ou nem tanto -- de Ana os deixarão viver essa paixão em paz?Ana precisa desvendar grandes segredos: O que provocou tal erro? Por que ela recebeu a alma de outra pessoa? Poderá essa busca abalar a paz em Heart e acabar por destruir a certeza da reencarnação para todos?

Sabe aquele ditado “Não julgue um livro pela capa”? Normalmente usamos essa expressão quando vemos uma capa feia, e ao lermos sua história nos deparamos com algo totalmente incrível que acaba por não refletir na imagem inicial que tínhamos. No caso de ‘Almanova’, tal ditado ganha uma conotação negativa, onde temos uma capa linda, mas cuja história peca na execução de narrativa e na falta de aprofundamento quanto ao universo descrito. Não se deixem enganar também pela sinopse, pois ela não terá continuidade durante a trajetória da personagem.


Ana é a primeira almanova dentro de mais de 3000 anos de reencarnações contínuas na cidade de Heart. Apesar de nunca ter conhecido a cidade – a única que existe aparentemente – ela parte numa viagem em direção a ela com o intuito de descobrir o significado de sua existência. Um motivo válido para guiar seus propósitos, contudo assim que chega à Heart, sua missão acaba esquecida diante da oportunidade de aprender música e dança com seu interesse amoroso *insira aqui uma imensa revirada de olho*. E por falar em interesse amoroso, seu encontro com Sam acabou sendo muito conveniente. Afinal quais são as chances de que assim que você sai de casa pela primeira vez, você esbarre num homem que fora ser bonito e da mesma idade que a sua, seja alguém que não sinta raiva de sua existência?

O livro gira em torno desses dois personagens e seu romance, não havendo muito desenvolvimento e espaço para os personagens secundários. A atração entre Sam e Ana acaba por surgir como num passe de mágica, sendo que nem dá para torcer pelo casal quando não há química aparente entre eles. E quando claramente se percebe que eles gostam um do outro, um conflito é criado, mas qual exatamente não é explicado (esse é um livro de muitas informações e poucas explicações). A protagonista faz parte daquele grupo que só sabe reclamar do quão injustiçada se sente e que todos a odeiam e blah blah blah. A garota não tem foco ou uma fibra que a faça lutar por algo ou a menos se defender sozinha, fazendo com que todos os outros “a resgatem” constantemente.

A sinopse cria toda uma expectativa quanto à ideia de reencarnação, que simplesmente não é alcançada ou mesmo explicada. Somos introduzidos ao fato de que existem um milhão de almas na cidade que sempre reencarnam assim que morrem. Também existe um censo para fiscalizar essas reencarnações, de modo que não haja problemas com a árvore genética das pessoas, mas nada é muito aprofundado de maneira que possamos entender. Então se no presente, “Sarah” dá a luz a “Pedro”, em 100 anos tem chances de “Pedro” dar a luz a sua mãe? Confuso, um tanto aterrador? Também acho. E quanto ao amor? Se por um acaso você se apaixona e casa com alguém numa reencarnação, há chances de no futuro seu amado ser seu pai/mãe ou irmã/irmão? Como funciona isso? Como alguém lida com essas coisas? Não existem respostas concretas para tais questionamentos.

Outro fato que teria sido incrível se melhor explorado é a questão de gênero das almas, pois numa reencarnação você pode ser homem, mas na próxima ser mulher. Tal fluidez de gênero nem mesmo foi debatida durante a narrativa, a não ser para Ana dizer que ficou com inveja de Sam, ao ver uma fotografia dele de quando foi mulher no passado e que ele tinha curvas maravilhosas e sabia preencher bem um vestido.


A construção de mundo é muito confusa, como se todas as ideias que foram colocadas num papel fossem introduzidas no livro. Somos apresentados a elementos fantásticos no enredo, como a existência de dragões e sílfides, mas não nos é dito de onde vieram, elas simplesmente existem ali e pronto. A vivência fora da cidade é tida como perigosa, mas dizem que há pessoas que moram fora dali. Como? Onde? Existe um Templo no meio da cidade, assim como um muro que percorre toda ela. E mais uma vez não nos é dado nenhum tipo de informação que possa explicar melhor o mundo criado pela autora.

O clímax do livro praticamente não existe. São tantos nadas rolando, e num momento os personagens estão conversando e do nada acontece um ataque de dragões, e logo depois Ana está debatendo sobre sua existência com o pai NO MEIO DO ATAQUE DE DRAGÕES, já que essa é a melhor ocasião para se ter uma conversa tão importante, quando outras pessoas estão lutando por suas vidas. O motivo dado para o nascimento de Ana foi tão anticlimático que perdura um sentimento de perda de tempo ao finalizar a leitura.

Posso afirmar que felizmente não estarei continuando com a série, já que fora não me apegar aos personagens, não possuo curiosidade o suficiente que me faça querer saber sobre o futuro da protagonista. Ao todo o livro tinha tudo para dar certo, com conceitos interessantes e inovadores no gênero YA, mas que acabaram muito mal executados.

Comente aqui um livro que tinha tudo para ser incrível e acabou te decepcionando.

Até a próxima,

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