RESENHA: MESTRE DAS CHAMAS

08:00



Editora: Arqueiro
Autor: Joe Hill
Páginas: 592
Estrelas: ⭐⭐⭐⭐
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**Cortesia da editora para uma resenha com uma opinião honesta**


“Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas. Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto.O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus. Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera. Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança.Do aclamado autor de A estrada da noite, este livro é um retrato indelével de um mundo em colapso, uma análise sobre o efeito imprevisível do medo e as escolhas desesperadas que somos capazes de fazer para sobreviver.”


Creio que devo começar dizendo que essa é a primeira vez que leio Joe Hill, sem também nunca ter lido nada escrito por seu pai - Stephen King -, o que fez minha experiência de leitura ser livre de expectativas e comparações. Logo, se houve referências a obras antigas, não pude reconhecê-las. Mesmo assim, "Mestre das Chamas" não deixa de ser uma excelente leitura, onde o autor vai nos expondo o cerne da humanidade quando confrontada por sua própria mortalidade.


Na história, o mundo está sendo consumido pelo fogo. Uma pandemia chamada de “Escama de Dragão”, cuja origem desconhecida acaba por infectar a população, fazendo com que marcas negras e douradas apareçam por seu corpo e quando ,sob forte estresse emocional, entram em combustão, a pessoa literalmente pega fogo. É nesse cenário apocalíptico que vamos acompanhar nossa narradora, Harper Grayson, uma enfermeira que fica infectada quando se descobre grávida. Depois de ser abandonada pelo marido, ela se junta a outros infectados em uma colônia onde a harmonia social pode ser a chave para sua sobrevivência.

A narrativa é dividida em nove livros (representativos creio eu, dos meses de gestação de Harper) que se estendem por quase 600 páginas, conectando-se de maneira fluida, de modo que cada personagem possa ser desenvolvido, onde a cada final de capítulo foram utilizados pequenos cliffhangers que te prendem na narrativa a cada página virada. Já nos agradecimentos, se é destacado aqueles que inspiraram o autor a escrever essa obra e durante toda a leitura ele faz diversas referências à música, à literatura e ao cinema com trechos imortalizados em nossa cultura mundial.


Joe Hill conduz um estudo de caso da humanidade, onde insere um patógeno mortal na sociedade e narra como as pessoas acabam por reagir a esse “fim dos tempos”. Somos confrontados pela fragilidade dos seres humanos ao se verem sem nenhum prospecto de futuro ou esperanças de melhora, que os leva à “mentalidade de bando”, onde sobrevivência significa o mesmo que viver em grupo. E assim vemos como o meio pode afetar um indivíduo, seja despindo a opinião do outro por meio do fanatismo religioso ou pela ideia de que a única cura possível seja através do extermínio, e nesses momentos vemos a maldade e perversidade que existe dentro do homem. Em tais cenas o autor não poupou medidas e pinta um cenário terrível e cruel, em que cada momento narrado seja perturbador o suficiente para lhe deixar abalado.


Harper cativa, como protagonista, ao permanecer forte e inabalável diante do colapso gradual de todos à sua volta, procurando sempre ajudar o próximo, mesmo que ela venha a se machucar com isso. Apesar do título “Mestre das Chamas”, a tradução decidiu por denominar o personagem responsável por esse nome de ‘Bombeiro’, o que convém com sua tradução literal do inglês “Fireman” (título do livro nos EUA), mas nesse caso creio que tal artifício tenha sido usado para criar certo paradoxo, afinal bombeiro é aquele que apaga incêndios, e não quem os provoca. O Bombeiro foi um personagem um tanto quanto enigmático, e mesmo que figure no título do livro, acabou por deixar a desejar ao não aparecer tanto quanto eu gostaria, ficando mais a margem enquanto os outros personagens tomam o palco central.

Recheada de tensão e nos mostrando a perversidade humana, “Mestre das Chamas” é uma excelente obra de terror, onde Joe Hill nos pinta um quadro aterrorizante em que o pior inimigo da humanidade acaba sendo ela mesma. Uma grande indicação para os fãs do gênero.

Comente aqui qual foi seu primeiro livro de terror.


Até a próxima,

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