RESENHA: O LADO FEIO DO AMOR

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Editora: Galera Record
Autor: Colleen Hoover
Paginas: 336

Estrelas: 5/5

Quando Tate Collins conhece o piloto de avião Miles Archer, ela sabe que não é amor a primeira vida. Eles não podem nem se considerar amigos. A unica coisa que Tate e Miles tem em comum é a inegável atração que sentem um pelo outro. Uma vez que seus desejos são compartilhados, eles encontram o jeito perfeito para resolver a situação. Ele não quer amor, ela não tem tempo para amar, então só sobra o sexo. O acordo entre eles poderia ser surpreendentemente perfeito, desde que Tate seguisse as únicas duas regras que Miles tem pra ela:Nunca pergunte sobre o passado.Não espere um futuro.Eles acham que conseguem lidar com isso, mas percebem quase imediatamente que não conseguem lidar mesmo.Corações são infiltrados. Promessas são quebradas. Regras são despedaçadas. O amor fica feio.
Ugly Love é o novo romance de Colleen Hoover. Novo em todos os sentidos que a palavra pode oferecer: tema refrescante, diferente de tudo que Colleen escreveu até agora, personagens marcantes, história real. Não consigo poupar elogios.

Este é um livro que foge à regra de Colleen – Young Adults ou até mesmo New Adults – e passa por algo bem mais maduro. Acho que minha conexão com o livro se deu de forma imediata: não só por Hoover, que tem espaço cativo no meu coração, mas também pela trama em si. Pela simplicidade e maturidade. A única coisa que me preocupa é que este livro também foge do que a Galera Record – editora da autora no Brasil – geralmente publica. Espero que isso não seja um empecilho, já que esse livro merece chegar em mãos brazucas.

“É engraçado como ele se recusa a fazer contato vitual durante o sexo, mas não consegue tirar os olhos de mim no resto do tempo.”

A narrativa de Ugly Love tem floreios que o deixam interessante e impactante. O livro oscila pontos de vista, uma técnica utilizada por diversos autores e que já apareceu em outras obras de Colleen, como Finding Cinderella e Maybe Someday. Ele também oscila no tempo narrativo, que se dá entre presente e passado. A voz de Tate narra o presente e o desenvolvimento com Miles e a voz de Miles narra o passado -- e o nascimento do seu primeiro amor.

A história inicia quando, motivada pelo impulsionamento de sua carreira, Tate vai morar com seu irmão, Corbin, um piloto de avião. Tate é uma personagem segura do que quer e o que ela quer é seu mestrado em enfermagem --  possibilitando assim, sua independência definitiva. No dia em que se muda para a casa de Corbin, Tate conhece Miles, um piloto de avião vizinho do irmão.

Acompanhar o relacionamento incomum (ou talvez mais comum do que pensamos) sob a ótica de Tate é uma experiência incrível, mesmo que enervante, às vezes. Eles já iniciam uma relação fadada ao fracasso, estabelecendo regras que os afastem, mesmo que a aproximação seja inevitável. A química entre os dois é quase palpável. As regras de Miles são simples: Não pergunte sobre o passado. Não espere um futuro. Tate tem apenas uma regra: Não me dê esperanças. É óbvio que toda essa falácia cai por terra, em algum momento.
“É assim que que acontece quando uma pessoa desenvolve atração por alguém. Ele não estava em nenhum lugar e de repente, ele estava em tudo. Quer você queira ou não.”
Falar sobre Miles é um caso à parte. Quem acompanha minhas resenhas, deve ter percebido meu apreço por personagens masculinos, talvez por uma certa idealização, ou porque as mulheres costumam ser extremamente estereotipadas em livros Young Adult (o que não é o caso desse livro, ao meu ver). Amo a Tate e ela já se tornou uma das minhas heroínas favoritas entre os livros da Colleen, mas o Miles merece atenção especial nessa resenha.

O ponto de vista dele conta seu passado, seu envolvimento com Rachel, o nascimento - e o fim - do seu primeiro amor. Amava chegar aos capítulos narrados por Miles pelo estilo poético de narração. Se você leu Métrica, deve se lembrar bem dos famosos Slams. A narração de Miles é um grande Slam, com parágrafos curtos, frases impactantes, um ar adolescente quase inocente… quase. Miles é um dos tantos personagens quebrados de Colleen, com traumas insuperáveis, que beira a insanidade - isso já é o padrão dela - mas o jeito que ela o construiu (diferente de todos os outros, muito embora todos tenham uma bagagem emocional bem pesada) é impagável.

“As partes feias do amor não podem te levantar Elas te DERRUBAM.Elas te seguram.Te afundam.Você olha pra cima e pensa, eu queria estar lá em cima.Mas você não está.O feio do amor se torna você.Consome você.Faz você odiar tudo.Faz você perceber que mesmo todas as coisas bonitas dele não valhem a pena. Sem as partes bonitas você nunca arriscaria se sentir assim.Você nunca se arriscaria a sentir o feio.Então você desiste. Você desiste de tudo. Você nunca quer amar novamente, não importa de que forma, porque nenhum tipo de amor vale a pena viver o feio do amor novamente.Eu nunca vou me deixar amar de novo, Rachel.Nunca.”

O livro conta com alguns personagens secundários, que ajudam na construção da história. Um que vale destacar é Cap: um idoso, ascensorista do prédio onde Miles e Tate trabalham e que sabe muito sobre a vida. Um senhor adorável. As conversas e os ensinamentos de Cap dão toda uma dinâmica ao livro; Cap tem sempre essa áurea de que sabe de algo que os outros não sabem.

“Algumas pessoas ficam mais sábias enquanto envelhecem.  Infelizmente, algumas pessoas somente envelhecem.”

Rachel: primeira namorada de Miles, que indiretamente contribui para sua personalidade marcante.  Temos colegas de trabalho de Corbin e Miles e os pais de Tate e Corbin. Ian, o melhor amigo de Miles, é o único que conhece os dois lados de Miles e entende o porquê de suas decisões, embora não o apoie. Gosto de Ian, porque ele é um dos pontos de conexão da história, a prova de que não são dois Miles completamente diferentes (embora sejam. Faz sentido?)

Como cenários principais temos as casas de ambos, o elevador e o fatídico corredor - tudo isso contribui para a criação de um “mundo” só deles, onde tudo é bonito e nada dói… até o capítulo seguinte.

O relacionamento de Tate e Corbin é uma delícia. Ele é um irmão superprotetor - e às vezes machista - mas daquele jeito que todo irmão é. Com todas as implicâncias características de uma relação fraternal.

No fim trata-se de uma história de amor às avessas, meio quebrada, com todas as obviedades vistas, mas que nenhum dos dois queria enxergar. Tate e Miles são personagens apaixonantes e este é mais um livro onde Colleen mostra o porque de ser tão adorada por todas nós.

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