[RESENHA] O Mar da Tranquildade - Katja Millay

18:00

Editora: Atria Books / Arqueiro
Autor: Katja Millay
Título: The Sea of Tranquility/ Mar da Tranquilidade
Paginas: 426 (e-book)
Lançamento no Brasil: Setembro de 2014
Estrelas: 5/5

Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele.

A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.

Vou dividir a review em tópicos que considero importantes: meus sentimentos enquanto leitora, os personagens, a narrativa e a história. Se eu fosse dar uma frase para sintetizar o livro ela seria “tudo é mais”.

Sea of Tranquility foi uma grata surpresa. Acho difícil encontrar algum aspecto que não tenha me despertado uma sensação, e das mais variadas. Quem acompanha minhas resenhas sabe meu apreço por livros que me fazem sentir. Já comentei sobre esses aspectos, que são extremamente importantes e este é o caso. Desde a narrativa, as características dos personagens, os bloqueios emocionais, tudo me cativou.

É importante eu frizar algo que modificou toda a minha experiência como leitora: o afastamento. Fora a empatia (e simpatia) que tive pelos personagens, não me identifiquei com nenhum deles, sob nenhuma luz. Isso me fez ter um olhar crítico diante suas características e ampliar meus horizontes. Sei, com certeza, que não gostei do livro somente porque gosto da autora - talvez isso me sugestione em outras obras de Millay -  ou porque me encontrei em algum personagem (coisa que aconteceu com Fangirl, da Rainbow Rowell, com resenha no forno). Gostei do livro pela trama, pelo envolvimento, pelo plot twist, pelo desfecho. Tudo me cativou.

Gostei também de como tudo foi abordado. Passei todo o livro achando que determinada coisa havia acontecido - coisas que o universo Young/New Adult põe na sua cabeça - e no fim não era nada daquilo. Isso foi algo que me impactou positivamente, com certeza.

Sobre os personagens: Todos deveriam ser comentados, porque tenho a sensação de que ninguém foi insignificante ou criado apenas para a composição do livro. Todos fogem dos estereótipos dentro de suas características. O galã-pegador não é apenas isso. A maconheira-da-escola não é apenas isso. Todos são mais.

“A luz do dia não protege você de nada. Coisas ruins acontecem o tempo todo; elas não esperam até depois do jantar”

Aqui temos nossos personagens principais que dividem a narrativa: Nastya Kashnikov e Josh Bennet. Nastya é complexa até a superfície. Ela foi privada de fazer a coisa que mais amava na vida, e por isso “ergueu barreiras” de proteção. Destinada a fugir de seus demônios, ela decide mudar de cidade (e de personalidade) para esconder o passado. Nastya tem uma característica peculiar: ela não fala. Com ninguém, por nada… E porque quer. Ela liga muito para o que os outros estão falando, mas não do jeito que estamos acostumados. Ela quer passar uma impressão ruim - com as roupas pretas, escuras e os saltos-, para que não tentem descobrir sobre o seu passado. Ela é destemida… menos quando o assunto é o dia.

“Eu não ligo sobre o que as pessoas dizem sobre mim. Eu estou ok com as mentiras e os rumores. É a verdade que eu não quero que seja dita.”

Josh é quase sinônimo de morte. Todos a sua volta morreram - em tempos diferentes, em circunstâncias diferentes. Apenas morreram. Logo, é natural que as pessoas não queiram se aproximar tanto dele assim. Ele é uma pessoa reclusa, ainda que não tanto quanto Nastya, mas ainda assim mais que o normal. Ele não quer se aproximar das pessoas simplesmente porque não vale a pena tê-las pra depois perdê-las.

“Eu não comecei a contar ainda. Eu me pergunto se sou só eu ou se é igual pra todo mundo; que toda vez que alguém morre, você começa a contar quanto tempo passou desde que eles se foram. Primeiro você conta em minutos, depois em horas. Você conta em dias, depois em semanas, e depois em meses. Um dia você percebe que você não está contando mais e que você nem sabe quando parou de contar. Esse é o momento em que eles realmente se foram.”

Este é um livro grande, mais de 400 páginas na edição do Kindle, então o desenvolvimento do relacionamento deles é bem extenso. Às vezes temos a sensação de que nada acontece durante um tempo, mas é tudo tão gradativo e bonito que você se pega torcendo cada vez mais. Mesmo que você saiba, mesmo que desconfie. Ambos tem uma história de dor e ver um salvando o outro é bem bonito. Vê-los se apaixonando, mesmo quando estão negando isso e vê-los cometendo seus erros em relação ao outro é especial, porque é como se eles quisessem ser pessoas comuns… mas não são.

“Você é tão bonita que um dia desses eu vou perder meu dedo na minha garagem, porque eu não consigo me concentrar com você tão  perto de mim. Você é tão bonita que eu queria que você não fosse, e talvez assim eu não sentisse vontade de bater em todos os caras da escola que olham pra você, especialmente meu melhor amigo.”

Drew é um caso à parte também. Ele é tão complexo, com vontades diferentes das expectativas que as pessoas tem sobre ele. Mudei de opinião sobre ele tantas vezes durante o livro, mas todas elas eram positivas. Nastya confiou nele por um motivo e ele não a desapontou. Ele era o olhos de Josh, quando ele não conseguia enxergar as coisas. Ele foi, por muitas vezes, a mão que a Nastya tanto precisava. Ele realmente merecia um livro só dele.

“Pessoas imorais debatendo a existência de Deus é sempre algo que anima a platéia”.

O livro trabalha com o ponto de vista dos dois - Nastya e Josh -  em primeira pessoa e isso dá uma sensação de que a história não é só sobre a Nastya ou só sobre o Josh. É sobre eles, sobre os dois, sobre sua redenção, sua salvação. Ninguém é mais importante, e ninguém é desimportante. O livro te faz rir, chorar, questionar. Sobre o que vale a pena morrer, sobre por quem vale a pena ressuscitar. Não é o plot que te impressiona, mas a forma genial como Millay conduz ele.

The Sea of Tranquility está em pré-venda nas principais lojas do Brasil, com o nome de Mar da Tranquilidade. Você já pode comprar e ler a versão digital pela Saraiva. O lançamento oficial é dia 25 de setembro.

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