[RESENHA] A Verdade Sobre Nós - Amanda Grace

19:30

Editora: Intrinseca
Autor: Amanda Grace
Título: A Verdade Sobre Nós
Paginas: 204

Título Original: The Truth Abou You & Me
Estrelas: 4,5/5
GOODREADS | SKOOB | SARAIVA | SUBMARINO


por Lia Rodrigues


Madelyn Hawkins está cansada. Cansada de ser sempre perfeita. Cansada de tirar A em tudo. Cansada de seguir à risca os planos que os pais fizeram para ela. Madelyn Hawkins está cansada de ser algo que não é, algo que não quer ser. E então ela conhece Bennet Cartwright. Inteligente, sensível, engraçado. A seu lado, ela se sente livre e independente. Uma história que poderia muito bem ter um final feliz, não fosse por um detalhe: Maddie tem apenas 16 anos, e Bennet, além de ter 25 anos, é seu professor. Pressionada pelos pais a participar de um programa para jovens talentos, Maddie pula dois anos do Ensino Médio e vai direto para a faculdade, onde conhece e se apaixona pelo professor de biologia. O sentimento é recíproco, e para dar uma chance àquele novo relacionamento que lhe faz tão bem, ela decide não contar para Bennet sua idade. Não demora muito para que as coisas comecem a dar errado, e as consequências da farsa de Maddie ganham contornos devastadores quando a verdade vem à tona.



A Verdade Sobre Nos é para mim um desses livros que você compra sem mal saber a sinopse e acaba sendo um dos mais incríveis. Uma das coisas mais marcantes desses livros foi à consciência constante que Madelyn teve contando a historia. Escrito em forma de cartas, ela retrata o passo a passo da sua relação com Bennet – o professor de biologia de 25 anos – sem ocultar o que estava acontecendo durante todo o processo.

Madelyn discorre toda a história enquanto conversa “eles” – a policia, os seus pais e a faculdade. Ela conta a historia tentando dar razão a própria mentira, falando sobre leis e tentando não dar tanta importância a sua idade.

“[...] A cosia mais importante de acordo com você, com eles, é o fato de eu ter dezesseis anos.”

Madelyn é uma garota excepcionalmente inteligente e entra na faculdade aos 16 anos por causa de um programa oferecido em sua escola. A forma como a autora montou essa personagem foi minuciosa – são retratados seus dramas familiares, suas duvidas quanto ao futuro e seus sentimentos por Bennet. Mas eu consigo descrevê-la com essas palavras: perdida e egoísta. Ela foi egoísta do inicio ao fim do livro – não pelos motivos pelo qual ela escreve, mas pelas suas ações que são contadas – e mesmo não dando razões aos seus atos impulsivos, não consigo odiá-la.

Ela conhece Bennet no primeiro dia de aula da faculdade, e encontra nele uma pessoa com quem ela pode ser ela mesma, apesar da mentira sobre sua idade. E é isso que ela tenta – e consegue – mostrar na carta que foi feita para “eles”. Ela quer limpar o nome dele, e encontra essa forma de mostrar que a culpa é toda dela, e eu concordo plenamente.

Bennet se tornou um dos meus personagens favoritos – pela compaixão, pelo controle, pela noção entre certo e errado – tudo que Madelyn não é. Claro que ele tem uma parcela de culpa: ele se envolveu com uma aluna, mas ela escondeu sua idade e transformou isso em um caso muito mais serio por querer exclusivismo, sendo egoísta ao extremo.

Por causa da sua falta de relacionamento com a família, Maddelyn viu em Bennet uma fuga da pressão que sentia o tempo todo – pelo pai por escolher uma carreira aos 16 anos, pela mãe para ser a melhor e pelo irmão que sentia inveja – o conjunto disso e a vontade de se descobrir a fez acreditar que uma pequena mentira não levaria a tudo que acontece.

“Você era a minha rota de fuga. Minha porta para o outro mundo, um reflexo que se parecia mais com a pessoa que eu queria ser do que com a que eu era obrigada a ser.”

Falando um pouco dos relacionamentos mostrados, primeiro o da família – a pressão que eles colocam sobre uma menina de 16 anos chega a ser cruel às vezes. Madelyn não tem nenhuma relação emotiva com os pais e ela sofre com isso. Tudo que eles querem saber é como estão suas notas, suas aulas, seus professores e que ela não pode fracassar igual ao pai, ela tem que ser bem sucedida igual à mãe. Já sua relação com Trevor – seu irmão mais velho por quatro anos – é de pura competitividade estimulada pelos pais.

Eu senti falta de conhecer mais a Katie, a menina que a Maddie conhece na aula de biologia, e que vira sua “amiga”. Eu entendo que o foco era ela tentando limpar o nome do Bennet, todavia, não deixei de me perguntar como elas poderiam ter sido amigas de verdade ou se foram e apenas não foi mencionado aos detalhes. Foi uma falha aceitável, mas que poderia ter falado aos mais sobre ela.

“Eu acredito [em destino]. Acredito em alma gêmea e em amor à primeira vista. Acho que não dá acreditar em apenas umas dessas coisas. Tenho a impressão de que são preciso as três.”

Quando a verdade veio, ela veio de um erro idiota e imprevisível. Eu senti toda a raiva de Bennet por Maddelyn. A reação dele mostrou um lado que ela não conhecia – que ninguém conhecia. E eu não tiro a razão dele em nenhum momento. Ela foi ingênua e nem assim deixou de ser egoísta quando tudo veio à tona. O envolvimento da policia e do país – que dão o motivo para carta – aconteceu por um ato de puro egocentrismo e individualismo egoísmo (não estou feliz com essa palavra, dá um help?) dela para com ela.

“[...] Eu não ligava para aqueles dois anos idiotas, não ligava se o que estávamos fazendo era perigoso [...], não ligava que eu estava sozinha com um homem quase dez anos mais velho do que eu [...] porque a única coisa que importava de verdade para mim... era você [...].”

O único momento em que ela pensou em alguém além dela mesma foi quando ela resolveu escrever a carta, e talvez, seja porque ela queria limpar o nome dela, mas ela não passou uma boa imagem de si, e mesmo assim ainda é uma das minhas heroínas – não tão heroína assim – favorita por causa da maneira como ela retratou a si mesma durante a historia.

E o epilogo é um daqueles que realmente finaliza a história. Ele diz como ficaram todos os relacionamentos de Maddie, mostra como ela está dois anos depois e o que ela espera do seu futuro. Foi um final, em certa parte, que eu já esperava, contudo a autora conseguiu me deixar na duvida que tudo seria diferente por casa de uma frase. E então muda novamente e flui perfeitamente até a ultima frase.

“Eu estou deixando a magoa, a tristeza e a culpa para trás.”

Todos tiveram o final que eu esperava, e mais um pouco. Amanda Grace realizou o sonho do meu final perfeito. Por isso, Amanda, obrigada por esse final maravilhoso e que me fez derramar algumas lagrimas.



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